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SAPATARIA CALÇA SOB MEDIDA HÁ DECADAS
Quando Antonio Martins chegou ao bairro da Liberdade, em 1950, Portugal (e toda Europa) passava pelas dificuldades do pós-guerra, um quadro tão comum para muitos imigrantes que vieram para o Brasil naquele período.
O rapaz, então com 19 anos, vinha encontrar seu tio Victor para dar continuidade ao ofício cultivado pela família há quatro gerações, desde os tempos da terra natal, Viseu: o de fazer sapatos artesanais e de fino trato.
Os dois alugaram um imóvel que servia como armazém de bananas no número 61 da Rua dos Estudantes. Era inaugurada,em Outubro de 1950, a Victor Calçados, e que já calçou personalidades como os membros da família Matarazzo e da família Saad.
O bairro da Liberdade, nos anos 50, ainda não era um local típico de moradia da comunidade japonesa. ´´Era um bairro muito calmo e residencial e a nossa casa foi uma das primeiras comercial´´, conta Antonio Martins. Agora tenho clientes das três colônias: da japonesa, da coreana e da chinesa. ´´
Além das lembranças daqueles tempos, Antonio conserva clientes muito antigos, como Jamil Gabriel, que compra na loja há cerca de 40 anos e só usa sapatos feitos lá. Nesses anos todos a qualidade do serviço do Martins é a mesma, impecável, avalia Gabriel. ´´Depois de todo esse tempo, somos mais amigos do que tudo.´´
Conforto – O principal motivo pelo qual uma pessoa passa a usar sapatos sob medida é, segundo Antonio, o conforto.
Há ainda problemas ortopédicos, como os joanetes, diferenças de pernas e pés chatos. Outro fator curioso é o tamanho dos pés. Um cliente costuma procurar em lojas número 34 e não acha sapatos clássicos, conta Martins. Podemos fazer qualquer modelo em qualquer tamanho. |
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O segredo da confecção de calçados tão confortáveis esta nas varias etapas para se chegar à finalização do trabalho. Tiramos medidas das pessoas e fazemos um molde de madeira, conforme o caso, explica Martins. ´´A parte principal sai toda das minhas mãos´´.
A escolha do couro usado nos sapatos também recebe uma atenção especial. A loja só trabalha com material alemão, francês e nacionais de primeira linha. Outra característica importante da sapataria Victor é que ela só confecciona sapatos masculinos. ´´Meus funcionários que faziam sapatos femininos faleceram e, por isso , parei com este trabalho.´´
A sapataria calçou senhoras até o ano de 1975. Mesmo assim a casa ainda abre exceções para clientes antigas.
Japão – O trabalho artesanal de Antonio já é conhecido no Japão. Executivos e turistas japoneses costumam ser trazidos á sapataria por seus parentes e amigos acabam levando algum par, que procuram repor tão logo ele se gaste. ´´Os parentes voltam aqui e pedem para que eu use informações do meu arquivo para fazer outro calçado´´, diz Martins.
A relativa notoriedade de seu trabalho rendeu até reportagens em jornais de Tóquio. A sapataria também mantém contato com antigos clientes nos EUA e Europa, que costumavam comprar com ele e se mudaram para lá.
Mesmo com uma clientela fiel, Martins diz que o hábito de calçar sapatos está diminuindo a cada dia e ficando restrito ás pessoas que fazem questão de um trabalho bem feito. Agora Martins preparou a nova geração (a quarta) de sapateiros artesanais desde que seu avô deu início ao negócio.
Seu único filho, Antonio Carlos, que está dando continuidade a loja, contando com a ajuda dos funcionários novos que estavam com seu pai desde a adolescência. Gosto de fazer este trabalho e vou partir para o que já está encaminhado, reflete.
Após 56 anos de bons serviços.
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